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Também este crepúsculo
Maio 4, 2008

Também este crepúsculo nós perdemos.

Ninguém nos viu hoje à tarde, de mãos dadas

enquanto a noite azul caía sobre o mundo.

Olhei da minha janela

a festa do poente nas encostas ao longe.

Às vezes como uma moeda

acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.

Eu recordava-te com a alma apertada

por essa tristeza que tu me conheces.

Onde estavas então ?

Entre que gente ?

Dizendo que palavras ?

Porque vem até mim todo o amor de repente

quando me sinto triste, e te sinto tão longe ?

Caíu o livro em que sempre pegamos ao crepúsculo,

e como um cão ferido rodou a minha copa aos pés.

Sempre, sempre te afastas pela tarde

para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.

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 Pablo Neruda