Pedro, lembrando Inês


Em quem pensar, agora, senão em ti ? Tu, que

me esvaziaste de coisas incertas,  e trouxeste a

manhã da minha noite. É verdade  que te podia

dizer: “Como é mais fácil deixarmos que as coisas

não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos

apenas dentro de nós próprios ? Mas ensinaste-me

a sermos dois, e a ser contigo aquilo que sou,

até  sermos um apenas no amor que nos une,

contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor :

ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua

voz  que abre as fontes a todos os rios, mesmo

esse que mal corria quando por ele passámos,

subindo a margem em que descobri o sentido

de  irmos contra o tempo, para ganhar o tempo

que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,

de chegar antes de ti, para te ver chegar com

a  surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água

fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:

a primavera luminosa da minha expectativa,

a  mais certa certeza de que gosto de ti, como

gostas de mim, até ao fundo do mundo que me deste.abraco-lapis1

 Nuno Júdice

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: