Soneto de Separação


tempestade20ao20anoitecer

De repente, do riso fez-se o pranto

silencioso e branco como a bruma,

e das bocas unidas fez-se a espuma,

e das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente, da calma fez-se o vento

que dos olhos desfez a última chama,

e da paixão fez-se o pressentimento

e do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente,

fez-se de triste o que se fez amante,

e de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se de amigo próximo o distante,

fez-se da vida uma aventura errante,

de repente, não mais que de repente.

 

 Vinicius de Morais

Uma resposta

  1. O Portal Lisboa e a Chiado Editora já começaram a fase de selecção de poemas enviados por vários autores, com vista a constarem na Antologia de Poetas Contemporâneos “Entre o Sono e o Sonho”. No entanto, os interessado ainda estão a tempo de enviarem os poemas. Para se inscreverem carreguem aqui: http://www.portallisboa.net

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