Eis-me


Eis-me

tendo-me despido de todos os meus mantos

tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

para ficar sozinha ante o silêncio

ante o silêncio e o esplendor da tua face

…………

Mas tu és de todos os ausentes o ausente

nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

e o meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

e o teu encontro

são planícies e planícies de silêncio

…………

Escura é a noite

escura e transparente

mas o teu rosto está para além do tempo opaco

e eu não habito os jardins do teu silêncio

porque tu és de todos os ausentes o ausente

solidao

 Sophia de Mello Breyner Andersen

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