A mim, na minha mão…


A mim, na minha mão, como o pássaro pousa

inocente e sem medo, amor pousou de leve

sendo que vinha saltitando em espasmos lentos

de  que se acrescentava a cada passo em carne.

Mas veio e se pousou malicioso e tenso,

tão desbragado e audaz no se entregar a mim

que a minha mão estendida ansiosa estremecia

de ver como sorria aquele amor em voo.

Pousou assim de leve  em minha mão aberta,

um pássaro tranquilo a mim se dando inteiro.

Um instante apenas foi. Silente não falou,

e  logo se acabou deixando só as lembranças.

Que triste este viver de só falar mais tarde !

balance-thumb

 Jorge de Sena

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