Soneto quase mudo


Há o silêncio, às vezes, entre nós,

e  é um silêncio denso, ou uma fala

críptica, uma linguagem que abdica

do som, para ser só a voz da alma…

.

Há súbitas catarses de palavras

em torrente, cachoeiras de espuma

efervescente, ou talvez a timidez

dos gestos reprimidos ou represos.

.

Há os olhos que dizem sem dizer,

há o fluido subtil de quem se entende

mais longe do que a vida nos permite.

sentir

E  há a confiança na ausência,

Há segredos sabidos sem saber,

manhãs  comuns em cada amanhecer.

.

 Rui Polónio Sampaio

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