Archive for Julho, 2009

Eu estou vivo
Julho 28, 2009

Pergunto-me o porquê

desta solidão que me acompanha

e não me deixa sorrir.

Fecho os meus olhos cansados

de tantas noites sem dormir,

de tantas lágrimas caídas

e vejo-te a sorrir para mim…

 Porque me abandonaste?

Já não me amas?

Estou farto de esperas inúteis,

de chamar-te sabendo que não virás

ao meu encontro…

Porém, ao abrir os olhos,

sei certamente que,

ao ver-me no espelho,

poderei sorrir

pois, sem ti,

eu estou vivo!…

Nenúfares

Ricardo Sousa

O tempo
Julho 23, 2009

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas!

Quando se vê, já é 6ª feira!

Quando se vê, já é Natal…

Quando se vê, já terminou o ano…

Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida…

Quando se vê, passaram 50 anos !

Agora é tarde demais para ser reprovado…

Se me fosse dado outro dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguia em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…

Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo…

E tem mais: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo.

Não deixe de ter pessoas a seu lado por puro medo de ser feliz.

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente,

nunca mais voltará.

relogio

Mário Quintana

Creio termos sido feitos para amar
Julho 20, 2009

Creio termos sido feitos para amar

tranquilos. Creio sermos velhos

e  termos já sofrido o necessário

para comer em paz e ver o sol

cada manhã subir um novo dia

sem angústia alicerçada no nascente.

Creio termos gritado já bastante

em todos estes séculos – estes duros

anos que passaram. Navegámos

em círculo, morremos, renascemos…

Fugazes as tangentes que traçámos

e  falharam a alegria. Tanto tempo

e  nova morte espreita. A mão

habitual nos comprime as artérias.

Sempre os beijos longos nos escapam.

Não é então para nós? Não é ainda

o  tempo de sorrir?

kiss

Egito Gonçalves

Poesia Contemporânea
Julho 14, 2009

CAPA - ESCOLHIDA

O Portal Lisboa e a Chiado Editora vêm anunciar a sessão de lançamento do
livro “Entre o Sono e o Sonho – Antologia de Poesia Contemporânea” – volume II.

Uma obra literária que surge com o intuito de prestigiar e distinguir
alguns poetas portugueses, integrando nomes consagrados e emergentes,
promovendo simultaneamente a criação poética contemporânea.

Este evento terá lugar no Café In (Avenida Brasília, Pavilhão Nascente,

n.º 311 – Lisboa) a 25 de Julho, Sábado, pelas 19h30.
O projecto foi criado e desenvolvido pelo Portal Lisboa e apoiado e
editado pela Chiado Editora, uma jovem casa de edição que rapidamente se
tornou numa editora de referência em Portugal.

A entrada para o evento é livre. Pelo que incentivamos todos os Autores a
convidar quem entenderem para assistir ao lançamento da obra.

Verdade
Julho 13, 2009

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A porta da verdade estava aberta,

mas só deixava passar

meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava

só trazia o perfil de meia verdade,

e a sua segunda metade

voltava igualmente com meios perfis

e  os meios perfis não coincidiam verdadeiramente…

Arrebentaram a porta.

Derrubaram a porta,

chegaram ao lugar luminoso

onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em metades

diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

Nenhuma das duas era totalmente bela

e  carecia optar.

Cada um optou conforme

seu capricho,

sua ilusão,

sua miopia.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Alma perdida
Julho 8, 2009

Toda esta noite o rouxinol chorou,

gemeu, rezou, gritou perdidamente !

Alma de rouxinol, alma de gente,

tu és , talvez, alguém que se finou !

Tu és, talvez, um sonho que passou,

que se fundiu na dor, suavemente…

Talvez sejas a alma, alma doente,

de alguém que quis amar e nunca amou !

Toda a noite choraste…e eu chorei,

talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei

que ninguém é mais triste do que nós !

Contaste tanta coisa à noite calma,

que eu pensei que tu eras a minh´alma

que chorasse perdida em tua voz !

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Florbela Espanca

Proclamação
Julho 3, 2009

A natureza não desce

a contratos. Nem a vida

se mede pela razão.

A vida é toda mistério.

Quem largamente se deu

não ofendeu a justiça

mas viveu do coração.

cascata

Ruy Cinatti