Poema da minha natureza


Crescem as flores no seu dever biológico,

e as cores que patenteiam, por sua natureza,

só podem ser aquelas, e não outras.

Vermelhas, amarelas, cinza, fogo,

lilases, carmesins, azuis, violetas, assim, e só assim,

tudo conforme a sua natureza.

Ásperas são as folhas, macias, recortadas

ou não, tudo conforme ;

e o aprumo como tal,

ou rasteiras, ou leves, ou pesadas,

tudo no seu dever,

por sua natureza.

É como os animais.

Em cada qual, por sua natureza,

todo o dever se cumpre.

Comem, dejectam, dormem,

fazem amor nas horas competentes,

lutam, caçam, agridem,

rosnam à lua, trinam, assobiam,

escondem-se, espreitam, fogem, amarinham,

dançam, mudam de pele, agacham-se, disfarçam-se,

tudo conforme a sua natureza.

Assim eu penso, e amo, e sofro, e vou andando.

Tudo conforme a minha natureza.


António Gedeão

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