Archive for Dezembro, 2010

Paz?
Dezembro 26, 2010

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Feliz Natal!
Dezembro 24, 2010

Segundo Andamento
Dezembro 23, 2010

 

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
Nascemos muitas vezes ao longo da infância quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.

José Tolentino de Mendonça

Se hás-de gostar de mim
Dezembro 17, 2010

Se hás-de gostar de mim, seja, sómente,

por amor. Nunca penses : “Ela agrada

pelo sorriso, – o olhar, – a delicada

maneira por que sempre fala e sente, –

 

a forma de pensar, íntimamente,

à minha, por meu bem, acomodada” –

pois, que não mude, nisso, não há nada,

e mudar pode o amor só nisso assente.

 

Nem deves, meu Amor, gostar de mim

por teu carinho os olhos me enxugar;

teu amor perderei, a ser assim,

 

se, por te ter, já não souber chorar.

Ama só por amor, que não tem fim,

para, também sem fim, poder’s amar.

 

Elizabeth  Browning

Se assim é, é porque é assim
Dezembro 13, 2010

Se eu pudesse trincar a terra toda
e sentir-lhe um paladar,
e se a terra fosse uma coisa para trincar,
seria mais feliz um momento…

Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade,
naturalmente, como quem não estranha
que haja montanhas e planícies
e que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica…
E que se assim é, é porque é assim.

Alberto Caeiro

Vinicius
Dezembro 8, 2010

Como dizia o poeta,

quem já passou por esta vida e não viveu

pode ser mais, mas sabe menos do que eu,

porque a vida só se dá para quem se deu,

p’ra quem amou, p’ra quem chorou, p’ra quem sofreu.

Ah, quem nunca curtiu uma paixão

nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença.

Mesmo o amor que não compensa

é melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.

P’ra quê somar se a gente pode dividir?

Eu francamente já não quero nem saber

de quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,

esse não vai ter perdão.

Quem nunca curtiu uma paixão,

nunca vai ter nada, não.

 

Vinicius  de  Moraes

 

 

 

 

 

Solidão
Dezembro 4, 2010

Solidão

Pedaços de mim quebrados

Vontades apagadas

Sonhos vãos

Mãos fechadas

Apertando ilusões mortas

Como florestas

Cerradas e incertas

De árvores que crescem tortas

E  é tudo assim em mim

Um dia sim… e outro sim

E  por vezes julgo que esqueço

E  que alguma coisa apeteço

Mas não

É  sempre  solidão…

m j rijo