Archive for Janeiro, 2011

Vida
Janeiro 27, 2011

Da tua vida o que não podem entender

nem oiro nem poder nem segurança

mas a paixão do tempo e dos seus riscos.

Tu buscaste o instante e a intensidade

e foste do combate e da mudança.

Por isso um rastro de ruptura e de viagem

ou talvez este fogo inconquistado

como breve eternidade

de passagem.

Manuel  Alegre

Anúncios

Os ombros suportam o mundo
Janeiro 24, 2011

Os ombros suportam o mundo

 Chega um tempo em que não se diz mais: Meu Deus.

 Tempo de absoluta depuração.

 Tempo em que não se diz mais: meu amor.

 Porque o amor resultou inútil.

 E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

 E o coração está seco.

 Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

 Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

 E nada esperas de teus amigos.

 Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

 Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

 As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

 provam apenas que a vida prossegue

 e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

 prefeririam (os delicados) morrer.

 Chegou um tempo em que não adianta morrer.

 Chegou um tempo que a vida é uma ordem.

 A vida apenas, sem mistificação.


Drummond de Andrade

Visitantes
Janeiro 19, 2011

Ontem, este blog atingiu as 10.000 visitas.

Muito obrigada a todos que por aqui passaram, sobretudo aos que deixaram o seu comentário de incentivo ou apoio.

O mundo da Poesia é fascinante

 e

A literatura não é algo que nos faça felizes, mas ajuda-nos a defendermo-nos da infelicidade.

Mario  Vargas Llosa

 

 

 

<a href=”http://s08.flagcounter.com/more/fUB”><img src=”http://s08.flagcounter.com/count/fUB/bg=FFFFFF/txt=000000/border=CCCCCC/columns=2/maxflags=12/viewers=0/labels=0/

alt=”free counters” border=”0″></a>

É loucura
Janeiro 18, 2011

O amor

é uma utopia criada por um louco qualquer

num momento de desvario.

Luís Ventura

Em louvor do fogo
Janeiro 14, 2011

Um dia chega

de extrema doçura:

tudo arde.

Arde a luz

nos vidros da ternura.

As aves

no branco

labirinto da cal.

As palavras ardem,

a púrpura das naves.

O vento,

onde tenho casa

à beira do outono.

O limoeiro, as colinas.

Tudo arde

na extrema e lenta

doçura da tarde.

Eugénio  de  Andrade

A minha dor
Janeiro 10, 2011

 

A minha Dor é um convento ideal
cheio de claustros, sombras, arcarias,
aonde a pedra em convulsões sombrias
tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
ao bater horas, no correr dos dias…

A minha Dor é um convento. Há lírios
dum roxo macerado de martírios,
tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
noites e dias rezo e grito e choro,
e ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…

Florbela Espanca – O Livro das Mágoas

Receita de Ano Novo
Janeiro 5, 2011

 

 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,

novo

até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?).

Não precisa

fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto da esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

 

Carlos Drummond De Andrade

 

 

 

 

Os números de 2010
Janeiro 2, 2011

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Mais fresco do que nunca.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 2,200 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 5 747s cheios.

Em 2010, escreveu 79 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 233 artigos. Fez upload de 119 imagens, ocupando um total de 17mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por semana.

The busiest day of the year was 29 de Julho with 46 views. The most popular post that day was Mãe.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram pt.wordpress.com, twitter.com, My Comments, feedly.com e gavetadospapeis.blogspot.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por manuel alegre, arvore rosa, anoitecer, sadness e amanhecer

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Mãe Maio, 2010

2

Como quero amar-te Dezembro, 2009

3

Canção de Circunstância Junho, 2009

4

Soneto de Separação Novembro, 2008
1 comentário

5

Com sol e sal eu escrevo… Agosto, 2009

Declaração dos Direitos do Amor
Janeiro 1, 2011

Considerando ser o Amor o maior de todos os agentes de Utilidade Pública, PROCLAMA-SE O QUE SEGUE:

Artigo 1º – O Amor pode apropriar-se de todo e qualquer coração, com ou sem anuência do dono.

Artigo 2º – Em presença de sentimentos inferiores, tais como a raiva, o ódio e o ressentimento, ao Amor é permitido julgá-los e extraditá-los sem direito a reconsideração da pena.

Artigo 3º – O Amor deve ser respeitado em todas as suas formas, sejam elas dirigidas a pessoas, coisas, vegetais ou animais.

Artigo 4º – Ao Amor é sempre permitida a companhia do perdão, pois que sem este Ele está falsificado.

Artigo 5º – O Amor tem o direito de ficar cego, surdo e mudo quando em presença de maledicências e pode apresentar-se como agente de paz diante de desarmonias e actos prejudiciais a todos os seres do Planeta.

Artigo 6º – O Amor tem licença plena para manifestar-se livremente, independente de raça, credo ou religião. Ele é incondicionalmente livre para viver em seu habitat natural: o coração.

Artigo 7º – O Amor é bússola que aponta o caminho para a Felicidade e assim deve ser indiscutivelmente reconhecido.

Artigo 8º – A todo aquele que banir o Amor do seu coração será imputada a pena de solidão, isolamento e sofrimento perpétuos.

Artigo 9º – O Amor nunca deverá ser responsabilizado por dores, perdas ou danos e tem amplos poderes para neutralizar todas as batalhas, sejam elas emocionais, familiares ou sociais.

Artigo 10º – Ao Amor não se aplicam Leis Trabalhistas: Ele pode exercer suas funções 24hrs por dia durante TODOS os dias do ano.

Artigo 11º – Quando o Amor entra em corações, deve ser bem recebido, bem tratado, bem nutrido e absolutamente livre para agir em prol de todos os envolvidos por Ele.

Artigo 12º – Em nenhuma hipótese o Amor deverá ser álibi para atitudes de más intenções, tais como usá-lo como desculpa para enganar, iludir ou controlar corações. Também nunca poderá ser instrumento de brincadeira com o sentimento do homem ou da mulher.

Artigo 13º – Toda e qualquer tentativa de matar o Amor será tratado pelo Universo como crime contra a vida do próprio mandante.

Artigo 14º – O Amor é partidário da Lei de Causa e Efeito: Ele pode partir em definitivo da Vida daqueles que optam pelo sofrimento diante das adversidades, e também daqueles que se deixam cair em abandono.

Artigo 15º – Ao Amor nada deve ser acrescentado e Dele também nada retirado, posto ser o mais perfeito de todos os sentimentos e manifestação absoluta de Deus.

Parágrafo Único: Os Direitos do Amor sempre protegerão os legítimos Direitos de Todos os Seres.

REVOGUEM-SE TODAS AS DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO

 

 

Silvia Schmidt *Humancat* – no livro  ‘Toques & Choques’