Cendrada luz


Cendrada luz enegrecendo o dia,

tão pálida nos longes dos telhados !

Para escrever mal vejo e todavia

a dor libérrima que a mão me guia

essa me vê, conforta meus cuidados.

.

Ao fim terrível que me espera extenso,

nenhum conforto poderei pedir.

Da liberdade o desdobrado lenço

meu rosto cobrirá. Nem sei se penso

ou pensarei quando de mim fugir.

.

Perdem-se as letras. Noite, meu amor,

ó minha vida, eu nunca disse nada.

Por nós, por ti, por mim, falou a dor.

E a dor é evidente – libertada.

Jorge de Sena

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: