Soneto


Acusam-me de mágoa e desalento,

como se toda a pena dos meus versos

não fosse carne vossa, homens dispersos,

e a minha dor a tua, pensamento.

.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,

quando a luz que não nego abrir o escuro

da noite que nos cerca como um muro,

e chegares a teus reinos, alegria.

.

Entretanto, deixai que me não cale

até que o mundo funda, a treva estale,

seja a tristeza o vinho da vingança.

.

A minha voz de morte é a voz da luta:

se quem confia a própria dor prescruta,

maior glória tem em ter esperança.

Carlos de Oliveira

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