Archive for Dezembro, 2012

Os números de 2012
Dezembro 31, 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

The new Boeing 787 Dreamliner can carry about 250 passengers. This blog was viewed about 1.700 times in 2012. If it were a Dreamliner, it would take about 7 trips to carry that many people.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Devagarinho
Dezembro 29, 2012

Passemos, tu e eu, devagarinho,
sem ruído, sem quase movimento,
tão mansos que a poeira do caminho
… a pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, em torvelinho
de folhas arrastadas pelo vento,
saibam beber o precioso vinho,
a rara embriaguez deste momento.

E, se a tarde vier, deixá-la vir…
E, se a noite quiser, pode cobrir
triunfalmente o céu de nuvens calmas…

De costas para o sol, então veremos
fundir-se as duas sombras que tivemos
numa só sombra, como as nossas almas.

REINALDO FERREIRAem  POETAS DE MOÇAMBIQUE

Poema de Natal
Dezembro 21, 2012

Para isso fomos feitos:
para lembrar e ser lembrados
para chorar e fazer chorar
para enterrar os nossos mortos —
por isso temos braços longos para os adeuses
mãos para colher o que foi dado
dedos para cavar a terra.


Assim será nossa vida:
uma tarde sempre a esquecer
uma estrela a se apagar na treva
um caminho entre dois túmulos —
por isso precisamos velar
falar baixo, pisar leve, ver

a noite dormir em silêncio.


Não há muito o que dizer:
uma canção sobre um berço
um verso, talvez de amor
uma prece por quem se vai —
mas que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações
se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:
para a esperança no milagre
para a participação da poesia
para ver a face da morte —
de repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
nascemos, imensamente.

Vinícius de Moraes

Tempo de Poesia
Dezembro 13, 2012

Todo o tempo é de poesia.

Desde a névoa da manhã
à névoa de outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia.

Todo o tempo é de poesia.

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram
Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação do caos
à confusão da harmonia.

ANTÓNIO GEDEÃO,  em  “POESIA COMPLETA

No coração, talvez
Dezembro 6, 2012

solidao4

No coração, talvez, ou diga antes:

uma ferida rasgada de navalha,

por onde vai a vida, tão mal gasta.

Na total consciência nos retalha.

O desejar, o querer, o não bastar,

enganada procura da razão

que o acaso de sermos justifique,

eis o que dói, talvez no coração.

.

José Saramago,  em   “Os Poemas Possíveis”