Voz


Era uma voz que doía,

mas ensinava.

Descobria,

mal o seu timbre se ouvia

no silêncio que escutava.

.

Paraísos, não havia.

Purgatórios, não mostrava.

Limbos, sim, é que dizia

que os sentia,

pesados de cobardia,

lá na terra onde morava.

.

E morava neste mundo

aquela voz.

Morava mesmo no fundo

dum poço dentro de nós.

penumbra

Miguel  Torga

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