Quatro estações


Há uma impressão de cinza nas mãos

que aperto, com a força do vento, como

se não tivesse passado a sombra que as

anima, levando com ela o sonho em que a vi.

.

E sinto ainda um fulgor de lume nos

meus dedos, como se tivesse voltado

a quente ansiedade de outrora, e a sede

em que o desejo encontrava a sua fonte.

.

Um corpo que passou por mim, e me

esgotou a alma, perpassa na inspiração

em que a vida reencontra um rumo de campo:

.

com a melancolia do outono, a corrupção

do inverno, a maré florida da primavera,

e o êxtase dos frutos na colheita do verão.

maos1dt6

Nuno  Júdice

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