Espelho


Às vezes, queria ter apenas uma palavra

para te ver, tão leve como a flor, ou

tão doce como o amor; queria saboreá-la,

como se fosse um torrão – ou dizê-la

.

como fácil suspiro, sem dor nem tristeza.

De outras vezes, queria envolvê-la numa

espuma de frases, escondê-la sob a névoa

do verso, ou atirá-la ao vento que a

.

confundisse com a mais branca nuvem.

Mas essa palavra só existe porque diz

o que és, quando a digo; e se a não

.

digo, também o silêncio se transforma

em palavra, para que o espelho do poema

se abra, e nele o teu rosto me sorria.

Momentos de cor

Nuno  Júdice

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