Archive for Março, 2015

Entretenimento
Março 29, 2015

Como quem procura conchas à beira do mar,

escolho as palavras para te dizer,

quando o silêncio dos teus braços

vestir o frio dos meus ombros.

concha

Luísa  Dacosta

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Procura-te
Março 23, 2015

não procures no que lês
o eu que o escreveu
procura-te

aceitares ou recusares
as palavras lidas
é seres tu

será sempre morta a escrita
que não provoque no leitor
repulsa aceitação ou
no limite da comunhão o
“porque não fui eu?”

se te sentas nas minhas palavras
e adormeces
de nada serviu tê-las escrito

não me procures no que leste
procura-te porque o fizeste

chama-arcoiris

A. H. Cravo

As palavras que eu digo
Março 17, 2015


As palavras que eu digo
sobre o aroma das flores
são palavras às cores,
que na minha alma respiro
e é nelas que cheiro,
que recordo e que vivo.

Como marinheiro em terra preso,
em minha mente navego
nas memórias agitadas
por vagas de pensamentos
levadas pelos ventos
à terra dos sentimentos
no coração atracado.

Cada porto de abrigo
é uma história que se conta
de um homem nascido,
tendo tudo vivido
que se faz das palavras que eu digo.

José Maria Almeida

Soneto do Escuro
Março 11, 2015

Amor, tenho saudades de outra vida

feita só de mil dias transparentes :

não te esqueças de mim se vires perdida

esta voz nas palavras mais ausentes.

.

Porque é perto da morte que escrevemos,

cada verso contém uma ameaça :

e a ternura maior que nos dizemos

é feita de penumbra fria e baça.

.

Se a voz se dá no verso e na medida

é o medo, meu amor, mais que a vontade :

o verso nada pode contra a vida ;

.

sabê-lo é a nossa liberdade.

É o medo que nos versos esconjuro

como riso vibrando no escuro.

escuro

Luís Filipe Castro Mendes

Epitáfio
Março 5, 2015

eu não deixo nada feito

fica tudo por fazer

que eu passei parte da vida

a tentar sobreviver

a outra parte a dormir

e outra parte a comer

ou então a fazer coisas

que não vou aqui dizer

mas não deixo nada feito

fica tudo por fazer

.

eu não deixo nada escrito

fica tudo por escrever

que eu passei parte da vida

a aprender a saber ler

seria muita arrogância

eu pôr-me agora a escrever

e em verdade se diga

que tive mais que fazer

mas não deixo nada escrito

fica tudo por escrever

.

e até o que foi dito

do que se diz por dizer

às coisas mais delicadas

que põem um tipo a pensar

duvido que alguma coisa

fosse assim tão singular

ou que ainda um dia se diga

sim senhor gostei de ouvir

por isso, p’ra resumir

digo-te sem cortesias

aqui jaz o malaquias

.

viesses mais cedo e ainda o vias

time 2

Pedro Malaquias