De novo a claridade


Veio de novo a Primavera pelo labirinto das ruas,

mas acordou a paisagem sem demora.

É um tempo à medida dos habitantes da cidade,

conhece os seus percursos

ao pormenor.

.

Não veio em voo altivo da aurora indiferente,

seguiu por avenidas

onde não a conhecem,

por becos onde não a esperavam.

Como se perdem sem conta os passos dos transeuntes

em diversas vias

mas encontram sempre a claridade…

.

Fez de cada varanda uma falésia sobre o oceano,

de cada ilha um novo arquipélago

sem sombras,

é a alma comum da urbe.

Não está acompanhado quem se encontra acompanhado,

mas quem recebeu a Primavera

de verdade.

Por vielas onde se dissimulam criminosos,

por alamedas

em que as árvores são fantasmas

ameaçadores,

não há quem a não tenha acolhido em sua casa.

E a luz cobriu o céu à mesma hora.

pessegueiro

Joel  Henriques    em    Terra Prometida

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