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Recuso-me
Outubro 27, 2015

Recuso-me a ficar amolecido,
tragicamente cilindrado,
e, muito antes de lutar – vencido,
e, muito antes de morrer – violado.
.
Recuso-me ao silêncio e à mordaça.
Serei independente, livre e exacto.
A verdade é uma força que ultrapassa
a própria dimensão em que combato.
.
Recuso-me a servir a violência,
embora a minha voz de nada valha,
mas que me fique ao menos a consciência
de que tentei romper esta muralha.
.
Recuso-me a ter medo e a estiolar
na concha dos poetas sem mensagem.
Que me levem o corpo e a coragem
mas que me fique esta voz para cantar.

homem-tristeza

João Apolinário