Recuso-me


Recuso-me a ficar amolecido,
tragicamente cilindrado,
e, muito antes de lutar – vencido,
e, muito antes de morrer – violado.
.
Recuso-me ao silêncio e à mordaça.
Serei independente, livre e exacto.
A verdade é uma força que ultrapassa
a própria dimensão em que combato.
.
Recuso-me a servir a violência,
embora a minha voz de nada valha,
mas que me fique ao menos a consciência
de que tentei romper esta muralha.
.
Recuso-me a ter medo e a estiolar
na concha dos poetas sem mensagem.
Que me levem o corpo e a coragem
mas que me fique esta voz para cantar.

homem-tristeza

João Apolinário

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s