Conformismo


Pendurado do resto de um cigarro,
– meio aceso, meio ardido –
desfaço-me na cinza dos dias que passam,
sem que eu passe além de mim,
desenhando saudades na penumbra da memória.
.
Saudades de um futuro que o fumo leva
e que dissolvo neste whisky,
velho de mágoas destiladas
nas altas terras das dores silenciadas.
.
Sentado no silêncio frio da pedra solitária,
rumino o lume brando que me cerca,
enquanto olho o mundo
pelas vidraças da alma embaciada,
e, acomodado, reflicto:
– “as coisas são o que são!”.

© Matt Wisniewski

Vítor Bento

2 Respostas

  1. Linda imagem e palavras! Vamos lutar para preencher nossa mente com mais ideias e menos fumaça!

    • Exactamente.

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