2º Soneto de Amor da Hora Triste


 

Quando eu morrer – e hei-de morrer primeiro

do que tu – não deixes fechar-me os olhos

meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos

e ver-te-ás de corpo inteiro

.

como quando sorrias no meu colo.

E, ao veres que tenho toda a tua imagem

dentro de mim, se, então, tiveres coragem,

fecha-me os olhos com um beijo. Eu, Marco Pólo,

.

farei a nebulosa travessia

e o rastro da minha barca

segui-lo-ás em pensamento. Abarca

.

nele o mar inteiro, o porto, a ria…

E, se me vires chegar ao cais dos céus,

ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus.

Mar azul

Álvaro  Feijó

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