Poema sobre nada


Por vezes a Primavera é um pássaro que atravessa o Inverno,

não há o calor do sol

ou a brisa tépida que sopra por entre as folhas,

por vezes um olhar é o único aceno.

.

Há dias em que a única certeza da vida

é a tua leve presença

sobre o abismo da ignorância,

há dias em que nem a morte está garantida.

.

Um pássaro de luz corta as nuvens de sombra,

desde a claridade e as trevas

do princípio,

um pássaro de luz da tua íris irrompe.

.

Os teus braços não provarão que estou vivo,

são efémeros

mas deixei de parte a memória,

os teus braços nada provam e cinjo-os.

passaroverde

Joel Henriques

3 Respostas

  1. Senti a brisa disso… excelente!

    • É um poema nostálgico e bonito. Às vezes, as recordações são o nosso único consolo…

      • Agradeço a apreciação Dulcineia. De fato, a nostalgia é uma habilidosa vigilante não é mesmo? Bjão

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