Archive for Setembro, 2017

Pavio
Setembro 28, 2017

cora

 

És uma candeia ao canto do quarto
às vezes longe, às vezes perto.
Trazes o brilho e a coragem,
demonstras a fé nesta viagem…

– E eu estou aqui deitado,
às vezes ao frio, às vezes tapado
(cresce em mim a tempestade)
– Aqueço assim a saudade.

E no frio desta caverna
húmida e teimosamente eterna,
pingo a pingo, hoje, amanhã e depois,
lembro as vidas que não tivemos os dois.
Apenas este pavio
veio acalmar este frio
nas mãos, na mente e na alma.
Uma voz suave que acalma…

Cêra.
Quimera.
Sonho.
Coração tamanho.

António

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Ao longe, ao luar
Setembro 22, 2017

Ao longe, ao luar,
no rio, uma vela
serena a passar
que é que me revela?
.
Não sei, mas meu ser
tornou-se-me estranho
e eu sonho sem ver
os sonhos que tenho.
.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É vela que passa
na noite que fica.

barco 2

Fernando Pessoa

O último Poema
Setembro 16, 2017

Assim eu quereria meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Flores.png

Manuel Bandeira    em   Estrela da Vida Inteira- poesias reunidas

Estranho mal
Setembro 9, 2017

Procuro o Paraíso.

e nasce, em mim, a mágoa.

Estranho mal o meu,

o mal da poesia!

Surdez de não ouvir senão a água…

Cegueira de não ver senão o dia.

pedro-homem-de-mello-blogue

Pedro Homem de Mello    em    “Expulsos do governo da cidade

Bilhete
Setembro 3, 2017

Se tu me amas, ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados.

Deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Mário Quintana