Entre mim e a vida


Já não escrevo sem algo entre mim e a vida:

olho a paisagem,

há inúmeros campos,

regresso a casa pelas estradas de terra,

tropeço em cada pedra.

O sangue do horizonte circula

nas minhas veias,

mas canto a natureza entre mim e a vida.

.

Se volto ao refúgio das paredes domésticas,

surge o teu semblante

no percurso

(é uma realidade,

esqueci as personagens fictícias).

Quero dizer o rosto do último lugar

habitável

e pronuncio o teu nome, perdido.

.

Quando era menos incompleto

trabalhava os poemas

até ao silêncio,

para que dissessem o rumor inaudito,

agora vêm das nascentes

sem a contagem das sílabas.

Consciente da origem e do fim,

de nada separado,

digo milhares de palavras entre mim e a vida.

natureza_rio

Joel  Henriques

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