Alegres campos, verdes arvoredos


Alegres campos, verdes arvoredos,
claras e frescas águas de cristal,
que em vós os debuxais ao natural,
discorrendo da altura dos rochedos;

Silvestres montes, ásperos penedos
compostos de concerto desigual;
sabei que, sem licença de meu mal,
já não podeis fazer meus olhos ledos.

E pois já me não vedes como vistes,
não me alegrem verduras deleitosas,
nem águas que correndo alegres vêm.

Semearei em vós lembranças tristes,
regar-vos-ei com lágrimas saudosas,
e nascerão saudades de meu bem.

6409flores

Luiz de Camões

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