Como na montanha


Não me perguntes nada. Só teus olhos

olhando-me, respondam confiados.

E tuas mãos, sentindo os meus cuidados,

saibam trazer promessas e consolos.

.

Ou diz, pois oiço tudo. A tua voz

é fluxo mineral, nem é palavras,

tal, na montanha, sebes, trilhos, lavras:

malhas na pele de um ser grande, feroz.

.

Viver é isto, como, na montanha,

o sol, as estações, que vêm, que vão,

um sono onde trabalha mão estranha,

.

urdindo sonhos e destruição.

Por isso, não perguntes. Tua mão

se pouse em mim, com o olhar me banha.

agreste

Ricardo Lima

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