Versos de Natal


Espelho, amigo verdadeiro,
tu refletes as minhas rugas,
os meus cabelos brancos,
os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
mestre do realismo exato e minucioso,
obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
penetrarias até o fundo desse homem triste,
descobririas o menino que sustenta esse homem,
o menino que não quer morrer,
que não morrerá senão comigo,
o menino que todos os anos na véspera do Natal
pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

Manuel Bandeira    em    “Lira dos cinquenta anos”, 1940

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