agora
Dezembro 1, 2019

é uma vida inteira à procura

de outra pessoa maior do que tu

que acreditas escondida em ti

amanhã farás melhor

amanhã farás o que não fizeste

amanhã terás todos os olhos em ti

amanhã serás maior que a estrela maior

e amanhã já se passou tempo de ser

de aceitar isso que se é

o que és agora mesmo

agorinha

aqui mesmo

com os pés descalços sobre a areia que não é tua

mas sim, amanhã receberás um prémio por seres o que não és ou não consegues, ou não queres ser

amanhã ou daqui a dez anos

o que te garanto é que o que és, és agora.

pensativa

Franz E.

Quando está frio
Janeiro 7, 2014

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
porque para o meu ser adequado à existência das cousas
o natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
e encontra uma alegria no facto de aceitar —
no facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
da mesma inevitável exterioridade a mim,
que o calor da terra no alto do Verão
e o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
mas nunca ao erro de querer compreender demais,
nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
nunca ao defeito de exigir do Mundo
que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

dois_pinguins

Alberto Caeiro

Finalmente vivo
Abril 3, 2012

Vivamos cada instante com profunda intensidade.

Se a vida é uma verdadeira dádiva do Universo,

quem somos nós para abreviá-la com infelicidade?

.

Pela manhã levantemo-nos em paz com as nossas dores.

Fiquemos em paz e harmonia com o espelho,

sem nos culparmos pela vaidade ferida.

Fiquemos em paz com os nossos valores,

exorcizando todas as angústias e mágoas.

.

Para que os outros nos aceitem como somos,

nós é que temos de nos aceitar primeiro,

naquilo que temos de imperfeito.

Amando e curando as nossas feridas,

aquelas bem fundas, onde só nós lá chegamos.

.

Mesmo que a vida se mostre vazia de significados,

e que tudo à nossa volta pareça conspirar contra nós.

Fundamental é mesmo não esquecer e ter presente,

que só nós somos os juízes das nossas vidas.

Da minha parte confesso já ter perdido a pressa,

que foi preciso passar pela dor do orgulho ferido,

para descobrir o verdadeiro significado da minha vida.

Finalmente sou coerente quando digo que vivo!

Luís Pedro Proença   em   Alma Zen