Porto sentido
Janeiro 2, 2018

porto

Quem vem e atravessa o rio

junto à serra do Pilar,

vê um velho casario

que se estende até ao mar.

.

Quem te vê ao vir da ponte

és cascata sanjoanina

erigida sobre um monte,

no meio da neblina.

,

Por ruelas e calçadas,

da Ribeira até à Foz,

por pedras sujas e gastas

e lampiões tristes e sós.

.

Esse teu ar grave e sério,

num rosto de cantaria

que nos oculta o mistério

dessa luz bela e sombria.

.

Ver-te assim abandonado

nesse timbre pardacento,

nesse teu jeito fechado,

de quem mói um sentimento.

.

E é sempre a primeira vez,

em cada regresso a casa,

rever-te nessa altivez

de milhafre ferido na asa.

Carlos Tê