Quando eu me amei de verdade
Setembro 29, 2011


Quando eu me amei de verdade,

compreendi que em qualquer circunstância,

eu estava no lugar no lugar certo e na hora certa

e então pude ficar tranquilo.

Hoje sei que a isso se chama Auto-estima.

Quando eu me amei de verdade,

pude perceber que a minha angústia e sofrimento

não passam de um sinal de que estou a contrariar a minha verdade.

Hoje sei que a isso se chama Autenticidade.

Quando eu me amei de verdade,

parei de desejar que a vida fosse diferente,

e comecei a ver que tudo contribui para o crescimento.

Hoje sei que a isso se chama Amadurecimento.

Quando eu me amei de verdade,

percebi que é ofensivo forçar algo ou alguém a uma situação.

Hoje sei que a isso se chama Respeito.

Quando eu me amei de verdade,

comecei a livrar-me de tudo o que me diminuísse.

De início pensei que fosse egoísmo.

Hoje sei que a isso se chama Amor-próprio.

Quando eu me amei de verdade,

deixei de fazer grandes planos.

Hoje faço o que gosto, quando quero e no meu ritmo.

Hoje sei que a isso se chama Simplicidade.

Quando eu me amei de verdade,

desisti de querer ter sempre razão,

e com isso errei menos vezes.

Hoje sei que a isso se chama Humildade.

Quando eu me amei de verdade,

desisti de ficar só no passado e de me preocupar tanto com o futuro.

Agora mantenho-me mais no presente.

Hoje sei que a isso se chama Plenitude.

Charlie Chaplin

Quem morre
Novembro 4, 2008

Morre lentamente quem não viaja,

quem não lê, quem não ouve música,

quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio,

quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,

repetindo todos os dias os mesmos trajetos,

quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor

ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,

quem prefere o preto sobre o branco

e os pontos sobre os  “is”

em detrimento de um redemoinho de emoções,

justamente as que resgatam o brilho dos olhos,

sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa

quando está infeliz com o seu trabalho,

seu amor, quem não arrisca o certo pelo incerto

para ir atrás de um sonho, quem não se permite

pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se

da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre um assunto que desconhece

ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,

recordando sempre que estar vivo exige um esforço

muito maior que o simples fato de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.

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 Pablo Neruda