Femme
Março 8, 2019

 

 

 

 

 

 

 

Femme, j’ai tant de choses à te dire,
Qu’il me faudrait un livre pour l’écrire.
Une vie ne suffit pas, et encore plus de temps,
Car tu portes en toi tout ce que je ressens.
Femme tendresse, femme douceur,
Femme tempête, femme douleur,
Il me faudrait tout le dictionnaire
Pour parler de toi, en rimes et en vers.
.
Tu es le commencement et la fin.
Tu es l’aboutissement, soir et matin.
Tu es l’émotion, la finesse, la vie.
Tu es tout ce que je ne suis pas, je t’envie.
Tu es l’avenir de l’humanité,
Car tu portes en toi l’éternité.
.
Femme d’amour, tu donnes la vie.
Femme de cœur, tu donnes l’amour.
Femme sensible, fragile, forte,
J’attends tout de toi, ouvres-moi ta porte.
Fais-moi une place dans ton cœur.
Offre-moi tout de toi et plus encore.
Femme battue, maltraitée,
.
Femme outragée, mal aimée,
J’aimerais tant te protéger,
Pour pouvoir tout te donner.
Femme courage, tu es admirable.
Femme aimable, tu es remarquable.
.
Tu es, parfois, imprévisible, charmante,
Tellement troublante, émouvante.
Femme au regard si doux, si profond,
Je me plonge dans tes yeux jusqu’au fond,
Recherchant l’insondable, l’innommable.
S’il t’arrive de pleurer, je me sens minable.
Femme, ces colères que je redoute
Lorsque tes yeux lancent des éclairs,
.
J’apprécie pourtant, lorsque tu doutes,
Ton émotion, quoi qu’il t’en coute.
Femme, du fond de ma solitude,
J’ai besoin de ta sollicitude,
.
De ta douceur, de tes caresses,
De ton affection et de ta tendresse.
Femme heureuse, complice de mes bonheurs,
Femme amoureuse, tu supportes mes humeurs.
Et lorsque surviennent orage et malheur,
Tu gémis, tu souffres… pire tu pleures.
.
Femme tu me désarmes,
Alors je rends les armes.
Sans toi je l’avoue, je ne suis rien.
Tu le sais, de toi j’ai tant besoin.
Dis-moi encore qui es-tu ?


( auteur inconnu , texte qui traîne sur le net )

Fadette Aiache

 

 

 

Anúncios

Nenhuma morte apagará
Fevereiro 18, 2019

Eu estava tão perto de ti que tenho frio ao pé dos outros.-  PAUL ÉLUARD

amor

Nenhuma morte apagará os beijos

e por dentro das casas onde nos amámos

ou pelas ruas clandestinas da grande cidade livre

estarão para sempre vivos os sinais de um grande amor,

esses densos sinais do amor e da morte

com que se vive a vida.

.

Aí estarão de novo as nossas mãos

e nenhuma dor será possível onde nos beijámos.

Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.

Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,

profundamente, no peito dos amantes,

a nossa alma líquida e atormentada

.

desvendará em cada minuto o seu segredo

para que este amor se prolongue e noutras bocas

ardam violentos de paixão os nossos beijos

e os corpos se abracem mais e se confundam

mutuamente violando-se, violentando a noite

para que outro dia, afinal, seja possível.

Joaquim Pessoa

Escavação
Janeiro 31, 2019

Numa ânsia de ser alguma cousa,

divago por mim mesmo a procurar,

desço-me todo, em vão, sem nada achar,

e minh’alma perdida não repousa!

.

Nada tendo, decido-me a criar.

Brando a espada, sou luz harmoniosa

e chama genial que tudo ousa

unicamente à força de sonhar…

.

Mas a vitória fulva esvai-se logo…

                                                            E cinzas, cinzas só, em vez de fogo…

– Onde existo que não existo em mim?

.

Um cemitério falso sem ossadas,

noites de amor sem bocas esmagadas –

tudo outro espasmo que princípio ou fim…

bando

Mário de Sá Carneiro

Diário V
Janeiro 24, 2019

o perfume

eleva a pele a algo entre

o veludo e o abraço.

cola-se na minha memória

a mistura de tangerinas,

rosas, lilases.

e traz com elas dias inteiros.

falando de amor ou não

Silvia Chueire

Mãe Natal
Dezembro 25, 2018

Querida Mãe Natal

aí onde estás, não entre as renas,
mas vestida de estrelas soalheiras,
espaço estelar onde o espírito cintila
nas palavras que me inspiras,
faz-me ser, se possível for essa proeza,
ser eu, cada vez mais, a filha tua,
à altura da pessoa do teu nome
e no amor lavado com que me vestias
no dia a dia, que por o ser,
era sempre Ano Novo.
não deixes esmorecer a tua Bela
para ti, sempre vela natural,
e incendeia de chama, brasa,
luz de ti,
a braseira da minha alma de natal.

Carta escrita à minha mãe, depois da sua travessia, em noite de consoada…
maria isabel fidalgo

Eu tenho medo de amar
Dezembro 9, 2018

O amor ainda está fora
esperando eu sair p´ra me atacar.
Eu tenho medo de amar.
.
Ele está armado com bombons e buquês.
E agora eu vou fazer o quê?
Eu tenho medo de amar.
.
O amor quer bater dentro de mim,
quer ser começo, meio e fim.
Eu tenho medo de amar.
.
Eu esperei escurecer e ele ainda está lá,
pois é à noite que ele gostas de atacar,
e eu ainda tenho medo de amar.

Marco António Cardoso

Os ombros suportam o mundo
Novembro 18, 2018

anjo

Os ombros suportam o mundo.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos…

…Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Setembro 28, 2018

Erros meus, má Fortuna, Amor ardente

em minha perdição se conjuraram:

os erros e a Fortuna sobejaram,

que para mim bastava Amor somente.

.

Tudo passei, mas tenho tão presente

a grande dor das coisas que passaram,

que já as frequências suas me ensinaram

a desejos deixar de ser contente.

.

Errei todo o discurso dos meus anos,

dei causa a que a Fortuna castigasse

as minhas mal fundadas esperanças;

.

de Amor não vi senão breves enganos.

Oh quem tanto pudesse que fartasse

este meu duro Génio de vinganças!

rosto1

Bocage

Dorme, meu amor
Setembro 22, 2018

Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais

este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.

Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou

há muito tempo: e o vento amaciou: e a minha mão

desvia os passos do medo. Dorme, meu amor –

.

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste

e pode levantar-se como um pássaro assim que

adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra

não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes

e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

.

agora e sossega a porta está trancada: e os fantasmas

da casa que o jardim devorou andam perdidos

nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

.

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e

nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já

olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui

de guarda aos pesadelos a noite é um poema

que conheço de cor e vou cantar-to até adormecer

dreaming_myself_away_by_bellatina

Mª  Rosário  Pedreira

Se uma gaivota viesse
Setembro 16, 2018

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai ao mar…
.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
.
Se ao dizer adeus à vida,
as aves todas do céu
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu…
.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
.
OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Alexandre O’Neill