Carta a Sophia
Outubro 14, 2012

CARTA A SOPHIA
OU
O QUINTO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE

… Querida Sophia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imaginei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal.

Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.

MANUEL ALEGRE,  em  LIVRO DO PORTUGUÊS ERRANTE

Ânsia
Março 2, 2012

Procuramos no dia-a-dia

a centelha de gozo que nos queime.

No tédio e no cansaço,

na memória do que ficou sonhado

e não concretizado,

na busca incessante do inalcançado,

a febre da plenitude.

Porque somos frágeis,

porque tudo requer esforço,

mas queremos sempre ir mais além…

Diana  Sá