A fala
Janeiro 14, 2015

Sou de uma Europa de periferia

na minha língua há o estilo manuelino

cada verso é uma outra geografia

aqui vai-se a Camões e é um destino.

.

Velas veleiro vento. E o que se ouvia

era sempre na fala o mar e o signo.

Gramática de sal e maresia

na minha língua há um marulhar contínuo.

.

Há nela o som do sul o tom da viagem.

O azul. O fogo de Santelmo e a tromba

de água. E também sol. E também sombra.

.

Verás na minha língua a outra margem.

Os símbolos  os ritmos  os sinais.

E Europa que não mais Mestre não mais.

mar bravo

Manuel  Alegre

Lápide
Maio 18, 2014

Luís Vaz de Camões.

Poeta infortunado e tutelar.

Fez o milagre de ressuscitar

a Pátria em que nasceu.

Quando, vidente, a viu

a caminho da negra sepultura,

num poema de amor e de aventura

deu-lhe a vida

perdida.

E agora,

nesta segunda hora

de vil tristeza,

imortal,

é ele ainda a única certeza

de Portugal.

camoes

Miguel Torga