Quando o amor morrer dentro de ti
Abril 18, 2014

Quando o amor morrer dentro de ti,
caminha para o alto onde haja espaço,
e com o silêncio outrora pressentido
molda em duas colunas os teus braços.

.
Relembra a confusão dos pensamentos,
e neles ateia o fogo adormecido
que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
espalhou generoso aos quatro ventos.

.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
e o nocturno calor que se debruça
sobre as faces brilhantes de soluços.

.
E se ninguém vier, ergue o sudário
que mil saudosas lágrimas velaram;
desfralda na tua alma o inventário
do templo onde a vida ora de bruços
a Deus e aos sonhos que gelaram.

só

Ruy Cinatti,   em  “Obra Poética”