Acusam-me de mágoa e desalento
Maio 1, 2013

Acusam-me de mágoa e desalento,

como se toda a pena dos meus versos

não fosse carne vossa, homens dispersos,

e a minha dor a tua, pensamento.

.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,

quando a luz que não nego abrir o escuro

da noite que nos cerca como um muro,

e chegares a teus reinos, alegria.

.

Entretanto, deixai que não me cale:

até que o muro fenda, a treva estale,

seja a tristeza o vinho da vingança.

.

A minha voz de morte é a voz da luta:

se quem confia a sua dor perscruta,

maior glória tem em ter esperança.

anoitecer

Luís de Camões

Soneto
Dezembro 21, 2011

Acusam-me de mágoa e desalento,

como se toda a pena dos meus versos

não fosse carne vossa, homens dispersos,

e a minha dor a tua, pensamento.

.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,

quando a luz que não nego abrir o escuro

da noite que nos cerca como um muro,

e chegares a teus reinos, alegria.

.

Entretanto, deixai que me não cale

até que o mundo funda, a treva estale,

seja a tristeza o vinho da vingança.

.

A minha voz de morte é a voz da luta:

se quem confia a própria dor prescruta,

maior glória tem em ter esperança.

Carlos de Oliveira