Balada dos Aflitos
Novembro 24, 2014

Irmãos humanos tão desamparados

a luz que nos guiava já não guia

somos pessoas – dizeis – e não mercados

este por certo não é tempo de poesia

gostaria de vos dar outros recados

com pão e vinho e menos mais-valia.

.

Irmãos meus que passais um mau bocado

e não tendes sequer a fantasia

de sonhar outro tempo e outro lado

como António digo adeus a Alexandria

desconcerto do mundo tão mudado

tão diferente daquilo que se queria.

.

Talvez Deus esteja a ser crucificado

neste reino onde tudo se avalia

irmãos meus sem valor acrescentado

rogai por nós Senhora da Agonia

irmãos meus a quem tudo é recusado

talvez o poema traga um novo dia.

.

Rogai por nós Senhora dos Aflitos

em cada dia em terra naufragados

mão invisível nos tem aqui proscritos

em nós mesmos perdidos e cercados

venham por nós os versos nunca escritos

irmãos humanos que não sois mercados.

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Manuel  Alegre