Poema contíguo ao Ódio
Setembro 30, 2012

Que gelado sopro nos agita

do lado de dentro das ruas?

 .

Que rápida vertigem nos domina

nesta agudíssima manhã?

.

Este vento que nos queima

estas veias mais quentes

Estes longos minutos

que sacodem o rosto

Estes ponteiros gigantes

que nos marcam os séculos

Estes rios de sal que abrem

sulcos nos ossos

.

Esta raiva que nos corta

estas lâminas nos lábios

Estes vidros de silêncio que

nos enchem a boca

Estes deuses que sorriem

estas lágrimas mais puras

Estes grandes traços negros

de trânsito impedido

João Rui de Sousa