Diz-me o teu nome
Dezembro 15, 2009

Diz-me o teu nome – agora que perdi

quase tudo, um nome pode ser o princípio

de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos – como as poeiras se

escrevem, irrequietas, nos caminhos, e os

lobos mancham o lençol de neve com os

sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para

dentro de outro – assim conquista o vento

o tímpano das grutas e entra o bafo do verão

na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar : é um poema

açucarado que se derrete na boca e arde

como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve

nos braços um segundo – um nome sim.

 

Maria do Rosário Pedreira