Amor
Junho 25, 2008

Aqueles olhos aproximam-se e passam.

Perplexos, cheios de funda luz,

doces e acerados, dominam-me.

Quem os diria tão ousados ?

Tão humildes e tão imperiosos,

tão obstinados !

Como estão próximos os nossos ombros !

Defrontam-se e furtam-se,

negam toda a sua coragem.

De vez em quando,

esta minha mão,

que é uma espada e não defende nada,

move-se na órbita daqueles olhos,

fere-lhes a rota curta,

poderosa e plácida.

Amor, tão chão de amor,

que sensível és …

Sensível e violento, apaixonado.

Tão carregado de desejos !

Acalmas e redobras

e de ti renasces a toda a hora,

cordeiro que se encabrita e enfurece

e logo recai na branda impotência.

Canseira eterna !

Ou desespero, ou medo.

Fuga doida à posse, à dádiva.

Tanto bater de asas frementes,

tanto grito e pena perdida …

E as tréguas, amor cobarde ?

Cada vez mais longe,

mais longe e apetecidas.

Ó amor, amor,

que faremos nós de ti,

e tu de nós ?

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 Irene Lisboa