Soneto de Fidelidade
Julho 17, 2011

De tudo ao meu amor serei atento
antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive,
quem sabe a solidão, fim de quem ama,

eu possa me dizer do amor (que tive):
que não seja imortal, posto que é chama,

mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Morais

Soneto de Separação
Novembro 24, 2008

tempestade20ao20anoitecer

De repente, do riso fez-se o pranto

silencioso e branco como a bruma,

e das bocas unidas fez-se a espuma,

e das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente, da calma fez-se o vento

que dos olhos desfez a última chama,

e da paixão fez-se o pressentimento

e do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente,

fez-se de triste o que se fez amante,

e de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se de amigo próximo o distante,

fez-se da vida uma aventura errante,

de repente, não mais que de repente.

 

 Vinicius de Morais