Também o pulso
Setembro 10, 2013

Também, também o pulso,

também o pulso arde, e morre

a luz na pele ;

arde com rumor de amêndoa

dentro do caroço,

de criança no escuro ;

será por setembro, quando a água

da neve ainda não conhece

a boca dos poços ;

quando a frágil alegria do olhar

quebra na sombra

o seu azul, o seu aroma.

Eugénio de Andrade