Arte poética
Dezembro 20, 2015

Faço um poema às vezes com a displicência
de um risco sem figura,
como a preguiça de um gesto
sem destino,
às vezes com o adormecimento
no mormaço,
como o tremor de uma lágrima
de espanto;
faço poema às vezes como a faina
de colher flores, de passar os dedos
na água, de voltar-me
por não ver nada mais do que sonhava;
faço poema às vezes como a máquina
regista, como o dedo segue
a linha da leitura,
como a força
invisível de virar
a página de um livro casual;
mas ás vezes faço poema como erguendo
um punhal contra a rosa, ou contra mim,
como quem morre e resiste
e quer morrer assim.
Faço poema às vezes.
.
Faço poema sempre como vivo.

regato 2

Walmir Ayala

Vida
Janeiro 27, 2011

Da tua vida o que não podem entender

nem oiro nem poder nem segurança

mas a paixão do tempo e dos seus riscos.

Tu buscaste o instante e a intensidade

e foste do combate e da mudança.

Por isso um rastro de ruptura e de viagem

ou talvez este fogo inconquistado

como breve eternidade

de passagem.

Manuel  Alegre