Presentes de um poeta
Outubro 7, 2012

Já não se encantarão meus olhos em teus olhos,
já não se achará doce minha dor a teu lado.

Mas por onde eu caminhe levarei o teu olhar

e para onde tu fores levarás minha dor.
Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos fizemos
um desvio na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás de quem te ame,
Do que corte em teu horto aquilo que eu plantei.

Eu me vou. Estou triste: mas eu sempre estou triste.
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

…Desde teu coração diz adeus um menino.
E eu lhe digo adeus.

Foto: PABLO NERUDA, in PRESENTES DE UM POETA (Arteplural ed.)</p><br /><br />
<p>Já não se encantarão meus olhos em teus olhos,<br /><br /><br />
já não se achará doce minha dor a teu lado.</p><br /><br />
<p>Mas por onde eu caminhe levarei o teu olhar<br /><br /><br />
e para onde tu fores levarás minha dor.</p><br /><br />
<p>Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos fizemos<br /><br /><br />
um desvio na rota por onde o amor passou.</p><br /><br />
<p>Fui teu, foste minha. Tu serás de quem te ame,<br /><br /><br />
Do que corte em teu horto aquilo que eu plantei.</p><br /><br />
<p>Eu me vou. Estou triste: mas eu sempre estou triste.<br /><br /><br />
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou.</p><br /><br />
<p>…Desde teu coração diz adeus um menino.<br /><br /><br />
E eu lhe digo adeus.</p><br /><br />
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Pintura de dafni amecke tzitzivakos</p><br /><br />
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(LT)
Pablo  Neruda

1º Soneto de amor da hora triste
Outubro 15, 2008

Não um adeus distante

ou um adeus de quem não torna cá,

nem espera tornar. Um adeus de até já,

como a alguém que se espera a cada instante.

.

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar

de novo para ti, no mesmo barco

sem remos e sem velas, pelo charco

azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.

E não quero que chores para fora,

Amor, que tu bem sabes que quem chora

.

assim mente. E  se quiseres partir e o coração

to peça, diz-mo. A travessia é longa… Não atino

talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino.

.

 Álvaro Feijó